domingo, 1 de abril de 2012

Descendo a costa em direcção ao Sul

 O Sul do país é um local extremamente bonito tanto pela paisagem como pelas suas praias e como já fiz umas quantas passeatas, deixo aqui umas sugestões do que se pode ver.

Hospital da Roça de Água Izé.
Virando à direita para a Roça Água Izé e subindo todo o caminho até ao topo encontra-se este magnífico hospital que agora está ocupado por pessoas da roça. Este é o hospital novo e o antigo está mais atrás (seguindo um caminho à direita) mas sinceramente achei este bem mais bonito.

Vista de dentro de uma das salas do hospital.
 Compreendo perfeitamente que haverão aqueles a quem isto não atrai minimamente mas eu adoro este tipo de cenários onde a natureza tomou posse da obra do Homem.

Imediatamente depois de sair da Roça está a Boca do Inferno.
Boca do Inferno.
Com alguma paciência e técnica dá para tirar umas fotografias bem porreiras com a água arrastada. Cuidado é para não levar banho como eu levei! Se não quiserem fotografar, o sítio também é bem jeitoso simplesmente para tirar as sandálias e descansar um pouco com os pés dentro de uma poça que lá há.






 A estrada continua e as praias vão se seguindo. Se quiserem podem fazer uma paragem para esticar os pés na Praia das Sete Ondas que, tanto quanto sei, é o único sítio na ilha onde se podem encontrar umas "conchas" fantásticas que são na verdade o que sobra de um tipo de ouriço extremamente abolachado!


Continuando o caminho e passando São João dos Angolares, eventualmente chega-se à EMOLV onde existe um autêntico mar de palmeiras plantado à custa da floresta para produzir óleo de palma. É aí que se pode ver esta fantástica vista:
O Pico do cão grande é uma visão extremamente
potente mesmo quando o seu cume está encoberto. 

 Ele vê-se facilmente ao longe mas aconselho a esperarem para o fotografar quando passarem uma ponte pequenina sobre o rio que está na fotografia. Sem sair da estrada este será o ponto mais próximo e na minha opinião, com uma melhor composição.


Piscina natural.
 Continuando em frente vai-se passar ao lado de umas quantas comunidades amorosas (e completamente dignas de visita - serão certamente mencionadas noutro post) e também por uma ou outra surpresa como é o caso desta fantástica piscina natural que está do lado esquerdo mesmo antes de chegar à comunidade de Ponta Baleia. Diria que a forma mais fácil de a encontrar é mesmo ter a janela aberta e avançar com ouvido atento porque o rio e as cascatas que se seguem ouvem-se bastante bem! A piscina propriamente dia é fantástica e no centro é funda o suficiente para se mergulhar de cabeça

Mais em frente, junto a Malanza, pode-se fazer um passeio de canoa que é organizado por uma ONG local , a MARAPA. O custo são 10€ por pessoa pagos no fim do passeio que dura cerca de uma hora. Para organizar o melhor é visitar a loja que existe na cidade. 

O passeio é muito bonito com todas as margens revestidas com mangal, um tipo de árvore com longas raízes aéreas que por vezes até partem dos ramos mais altos e viajam todo o caminho até à água. Se o percurso for feito da parte da manhã ou ao final do dia até se podem ver macacos.


 Continuando o percurso eventualmente chega-se a Porto Alegre que será a ultima paragem caso se queira comprar comida. O único sítio onde comi foi na recepção do Praia Jalé Ecolodge, que é basicamente um quiosque com uma sala onde as pessoas da casa fazem comida sob encomenda. Ainda assim, a comida era muito boa e o abacaxi simplesmente épico...

Praia piscina
 Se chegaram até aqui é provavelmente porque têm um todo-o-terreno por isso continuar não será problema. Seguindo em frente e dando a volta a Porto Alegre chega-se a um caminho que virando à esquerda no sítio certo, levará até à fantástica praia piscina.







Mais praia piscina

Ainda mais praia piscina
 O sítio é verdadeiramente paradisíaco e muito raramente tem gente. Dentro de água também é espectacular (embora a corrente possa ser forte) com todos os rochedos que partem das profundezas, todos os vales com areia branca no fundo e toda a vida marinha que neles vive. 








Se ainda não tiveram praia que chegue, podem regressar para o caminho principal e continuar em frente até chegarem à praia jalé, mas essa fica para depois...

sábado, 31 de março de 2012

Earth Hour Is Tonight!‏

 Earth Hour Is Tonight!‏ Ou pelo menos foi o que a Internet me contou. Se não fosse ela, juro que não saberia.
 Só posso dizer como acho incrível e inacreditável a diferença de realidades... Num canto do mundo pessoas ricas são incentivadas a desligarem a luz durante uma hora para reduzir as emissões, poupar recursos e para transmitir uma mensagem de consciência global ambiental. No outro canto do mundo pessoas pobres passam todas as noites às escuras e os candeeiros de petróleo são a única luz que se vê debaixo da Lua e das estrelas. Este é o canto onde crianças percorrem todos os dias vários quilómetros debaixo da escuridão total só para regressarem a casa depois de um dia de escola. 

Candeeiro de petróleo feito a partir de uma lata de Sumol. 

Há pelo menos uma coisa que é igual aqui e em qualquer outro lado do mundo. Jantar à luz das velas é sempre mais romântico ;)

sexta-feira, 30 de março de 2012

Peripécias em Ponta Furada


 Um dos trabalhinhos do projecto envolve estimar abundância de frutos e foi isso que fomos fazer debaixo de um céu opaco e negro que nos ameaçava esmagar a qualquer momento. Como foi um dia interessante, deixo aqui os pontos altos:

 Ia eu a conduzir e a contar teatralmente o terceiro capitulo do meu livro (falo dele noutra altura) quando uma rocha caiu da encosta e esmagou-se mesmo à frente do carro! Travei de repente, não a consegui evitar e amassei a parte debaixo... ai se estivesse 5m à frente quando a pedra caiu... Claro que depois saímos do carro para a rebolar para fora da estrada caminho porque tinha caído numa curva e o pessoal aqui vai sempre lançado.

 Nas redondezas da entrada para Santa Jenny vi que estavam lá sentadas as pessoas que entrevistámos há bem pouco tempo (outra componente do projecto) por isso todos esticámos os braços de fora das janelas e atirámos-lhes cumprimentos e sorrisos de volta. Como eles continuaram a acenar, parámos para dar boleia ao Tchuco, ao Admin, e ao Cotacadela. A coisa irónica disto tudo foi que da última vez que estivemos em Santa Jenny, o Admin e o seu padrasto Cotacadela tiveram uma desavença que acabou em machin! (machin é uma catana) Felizmente que não houve feridos graves mas agora tudo estava belo e amarelo e ninguém adivinharia a gritaria que se havia passado naquela noite! Eu certamente que não!


 Chegámos a Ponta Furada e passámos por baixo das majestosas figueiras que teríamos que contar. Havia uma árvore em particular que estava a produzir tanto figo que ele estava por todo o lado, pequenas bolas vermelhas decorando o caminho, boiando na vala de escoamento de água, perfumando o ar em redor.
 Como da ultima vez tínhamos comentado que ninguém em STP comia Figo Porco, eu decidi experimentar um mas o Nity depressa acrescentou que em vez de apanhar um do chão, mais valia esperar que um caísse... e não é que segundos depois de ele acabar a frase, caiu-me um figo porco mesmo à frente! Toca de ir lavar o gajinho na vala e dar uma trincadela para ver como era! 
 O figo nem é mau de todo, embora não seja especialmente doce, mas o chato foi ver imensas vespas minúsculas a fugirem pelo buraco da dentada por isso imagino que quando sorri de volta para eles devia estar bem jeitoso! As vespas que saíram são obviamente os polinizadores das inflorescências que os figos são por isso já devia estar à espera, mas enfim!

Regressámos à cidade para uma cervejita e um doce de coco e todo aquele céu preto decidiu que já estava na hora de brincar com os mortais cá de baixo. As pessoas no mercado gritavam, tudo a levantar as tralhas que estavam à porta, pessoas confusas de um lado para o outro, já completamente encharcadas e sem saberem se valia a pena continuar a correr, a água suja a cumular-se nos cantos, os carros a traçar as estradas lentamente como se fossem barcos enviando ondas castanhas para cima dos passeios, e nós ali a relaxar... até que também tivemos que sair e levar com ela. Certamente que não somos mais que os outros.

quinta-feira, 29 de março de 2012

A chuva que lava o espírito

Como está a chover furiosamente e o calendário diz que eu vou para Ponta Furada estimar abundância de frutos (um trabalhinho que envolve estar parado, e olhar para cima, e escrever os resultados numa folha de papel extremamente precária), aproveito para falar um pouco das tempestades por estas paragens.

 A chuva não apanha ninguém de surpresa. O céu fica cinzento... sim, mas não é aquele cinzento conhecido, ah e tal, "será que vai chover?", não não... é mais um cinzento-escuro-oh-meu-deus-isto-vai-tudo-cairmencima!
 Começa assim, subtilmente, convidando qualquer ser vivo a voltar para a toca, e depois para quem não recebeu/percebeu a mensagem porque estava demasiado atarefado com a cabeça baixa nos seus afazeres terrenos, os Céus mandam um novo sinal.
 Um vento súbito e frio que estremece todas as árvores, abana as folhas e dobra as chapas nos telhados. Está para breve. É melhor já estares dentro de casa... E se estiveres, as portadas das janelas já estão a bater, as folhas da mesa já estão todas no chão, é melhor acenderes a luz porque subitamente ficou noite, mas na verdade o mais provável é que também isso não valha a pena porque já cortaram a luz... olhas apreensivo pela janela, um trovão rasga os céus, toda a casa é encandeada, as paredes estremecem e os cães ladram!

 Recomendo vivamente "tomar" uma grande tempestade de vez em quando. Os efeitos incluem e não estão limitados a:
  1. Humildade há muito perdida.
  2. Ligação com a Natureza.
  3. Fortalecimento dos laços com os ratinhos que estão abrigados no mesmo buraco que tu.
Combinei com os assistentes de campo do projecto, Nity e Gabriel, estarem cá às 7h00 para irmos para Ponta Furada. Ainda está a chover furiosamente... eles não chegaram...vamos lá ver!

terça-feira, 27 de março de 2012

A primeira página



Ai ai, o primeiro post de um blog... a pressão... as expectativas… (minhas!)

Bem, para um bom começo, porque não uma curta explicação sobre o nome que lhe dei?

Apenas - Ao acrescentar esta palavrinha mágica no início atenuo (ligeiramente) o egocentrismo do que pretendo transmitir ao mesmo tempo que destruo qualquer expectativa infundada de o blog poder, um dia, vir a ser algo mais.
a minha história –  Se é a “minha história” então parece que serei a personagem principal e quem começar a ler isto já perdeu o início do filme mas não se preocupem porque pretendo ir dando uns palpites do que se passou para trás. Como qualquer boa história, há um passado e um futuro ainda por descobrir. Mas então o que é que eu pretendo oferecer com este blog?


Resumidamente, espero que seja um meio livre usado para partilhar situações cómicas, sentimentos íntimos e pensamentos sinceros que no seu conjunto compõem a história da minha vida. Espero que gostem.

[Nota: Visto que o nome do blog entretanto mudou, este post já não faz muito sentido mas como é o primeiro não queria estar a eliminá-lo.]