Etiquetas

História (47) Fotografia (43) Turismo (28) Comunidade (12) Mergulho (6) Príncipe (6) Panasonic DMC-FT4 (5) Noite (4) Porto Alegre (4) Praia (4) Ruínas (4) Boa Esperança (3) Livro (3) Marapa (3) Pico do Cão Grande (3) Ponta Furada (3) Santa Jenny (3) Água Sampaio (3) Abade (2) Chuva (2) Cidade (2) GoPro (2) Lagoa Amélia (2) Música (2) Xadrez (2)
Mostrar mensagens com a etiqueta Pico do Cão Grande. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pico do Cão Grande. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Agripalma: A Vergonha de São Tomé

Vista do Cão Grande a partir da estrada
 Hoje era para ser um dia especial - e acabou por ser, mas pelas razões erradas... Estava programada uma visita à antiga Emolve (actual Agripalma) com o intuito de observar pombos (rola, céssia e pombo do mato) e assim perceber de que árvores eles se alimentam mais frequentemente.
 Passar o portão correu bem. Já ouvi histórias de que havia antigamente um tipo de selecção com contornos racistas feito logo à entrada: "branco não entra". Felizmente que não foi esse o caso e conseguimos entrar todos sem problemas.
 O carro ficou estacionado na comunidade e lá fomos nós em direcção ao sítio onde tinha sido marcado um transecto há não mais que três anos atrás. O transecto havia sido escolhido por ser um bom local para observar pombos, e como este é um conhecido sítio para ver a rara, endémica e ameaçada Íbis (ou Galinhola - Bostrychia bocagei) eu estava com as expectativas bem altas.
 Bem, quando o transecto começou, numa zona que anteriormente seria floresta cerrada, agora era um descampado enlameado. Já não haviam árvores nenhumas! Foram todas cortadas indiscriminadamente (com a excepção de um ou outro Viru vermelho).

 Sem querer desistir do objectivo que nos fez conduzir todo o caminho desde a cidade, continuámos pelo transecto, saltámos o rio, e descobrimos que do outro lado o cenário repetia-se. Com a excepção de um ou outro Viru-vermelho que permanecia comicamente sozinho no meio de toda aquela destruição, não havia uma única árvore de pé.

Ao longe uma escavadora fazia o seu trabalho implacavelmente enquanto toda a paisagem parecia chorar a destruição causada.
  Ao ver tudo derrubado fiquei imensamente triste e revoltado, por isso comecei a registar tudo e a tirar pontos GPS e o resultado é este mapa que se vê em baixo.
A linha verde assinala o limite com o Parque Natural Obô. Toda a área vermelha é antiga plantação de palmeira ou floresta que eu já vi que foi cortada. Como podem ver, há muita floresta que dantes estava de pé juntamente com as palmeiras da Emolve e agora perdeu-se...

 O governo de São Tomé e Príncipe assinou um contrato com a Agripalma, cedendo-lhes 5000 ha, ou seja, terra suficiente para que o negócio de venda de óleo de palma se torne rentável. O problema é que a decisão foi inegavelmente mal pensada e agora parece que não há maneira de voltar atrás... Toda a zona corresponde ao local onde se pode encontrar o Ibis, uma das três espécies de aves Criticamente Ameaçadas de São Tomé, e provavelmente a que corre maior perigo de desaparecer para sempre devido à destruição de habitat e caça descontrolada. E como se o Ibis e as outras aves endémicas presentes na zona não fossem suficientes para parar o abate descontrolado de árvores, é aqui que se pode observar o fantástico Pico do Cão Grande que, só por si, poderia e devia ser explorado como um foco de atracção turística importantíssimo para São Tomé e Príncipe! Mas não, em vez disso o governo decidiu que seria mais proveitoso para o país trocar toda a sua biodiversidade única no mundo por umas quantas toneladas de óleo...!

Pico do Cão Grande... o que és e o que podias ser!
 Ao falar com as pessoas da comunidade mais próxima vi que nem elas estavam felizes com o que está a passar. E como poderiam estar, com tudo o que se está a passar. Quando se troca dinheiro por natureza, não há maneira de não se sentir um aperto no coração. Como uma vozinha interior que nos diz que aquilo está errado.
 Ao caminhar de volta para o carro só conseguia olhar para o Pico do Cão Grande e imaginar. Tanto potencial... e todo mandado a baixo...

domingo, 22 de julho de 2012

Entre a Praia Grande e o Pico Caué

 No outro dia vi-me a conduzir todo o caminho até aos lados da Emolve, no Sul de São Tomé. Se conseguirmos ignorar toda a desflorestação absurda que está a acontecer hoje em dia, a zona é lindíssima com o Pico do Cão Grande sempre a espreitar por cima do nosso ombro onde quer que vamos.
O carro ficou para os lados de Vila Irene e depois foi sempre a descer um caminho simples até chegarmos à  Praia Grande.




 Na Praia Grande a rocha vulcânica vai até ao mar e não cheguei a mergulhar mas como não se viam pescadores por todo o lado, sou levado a imaginar que deva haver muito peixe abrigado naquela baía.

 Se seguirem pela areia até à foz do Rio Caué serão subitamente surpreendidos com esta fantástica vista sobre o Pico do Cão Grande (ou Pico do Caué). Toda aquela praia pede para um pouco de reflexão e talvez um piquenique. O dia em que fui estava meio encoberto mas imagino que com bastante sol, a paisagem seja bem mais colorida!
 No caminho de regresso à estrada, junto à praia esperam-vos duas figueiras que já não sabem por onde crescer mais.
São tão grandes que chegam a formar autênticas paredes naturais. Tenham é cuidado com os ferros meio enterrados e as teias de aranha enormes.

domingo, 1 de abril de 2012

Descendo a costa em direcção ao Sul

 O Sul do país é um local extremamente bonito tanto pela paisagem como pelas suas praias e como já fiz umas quantas passeatas, deixo aqui umas sugestões do que se pode ver.

Hospital da Roça de Água Izé.
Virando à direita para a Roça Água Izé e subindo todo o caminho até ao topo encontra-se este magnífico hospital que agora está ocupado por pessoas da roça. Este é o hospital novo e o antigo está mais atrás (seguindo um caminho à direita) mas sinceramente achei este bem mais bonito.

Vista de dentro de uma das salas do hospital.
 Compreendo perfeitamente que haverão aqueles a quem isto não atrai minimamente mas eu adoro este tipo de cenários onde a natureza tomou posse da obra do Homem.

Imediatamente depois de sair da Roça está a Boca do Inferno.
Boca do Inferno.
Com alguma paciência e técnica dá para tirar umas fotografias bem porreiras com a água arrastada. Cuidado é para não levar banho como eu levei! Se não quiserem fotografar, o sítio também é bem jeitoso simplesmente para tirar as sandálias e descansar um pouco com os pés dentro de uma poça que lá há.






 A estrada continua e as praias vão se seguindo. Se quiserem podem fazer uma paragem para esticar os pés na Praia das Sete Ondas que, tanto quanto sei, é o único sítio na ilha onde se podem encontrar umas "conchas" fantásticas que são na verdade o que sobra de um tipo de ouriço extremamente abolachado!


Continuando o caminho e passando São João dos Angolares, eventualmente chega-se à EMOLV onde existe um autêntico mar de palmeiras plantado à custa da floresta para produzir óleo de palma. É aí que se pode ver esta fantástica vista:
O Pico do cão grande é uma visão extremamente
potente mesmo quando o seu cume está encoberto. 

 Ele vê-se facilmente ao longe mas aconselho a esperarem para o fotografar quando passarem uma ponte pequenina sobre o rio que está na fotografia. Sem sair da estrada este será o ponto mais próximo e na minha opinião, com uma melhor composição.


Piscina natural.
 Continuando em frente vai-se passar ao lado de umas quantas comunidades amorosas (e completamente dignas de visita - serão certamente mencionadas noutro post) e também por uma ou outra surpresa como é o caso desta fantástica piscina natural que está do lado esquerdo mesmo antes de chegar à comunidade de Ponta Baleia. Diria que a forma mais fácil de a encontrar é mesmo ter a janela aberta e avançar com ouvido atento porque o rio e as cascatas que se seguem ouvem-se bastante bem! A piscina propriamente dia é fantástica e no centro é funda o suficiente para se mergulhar de cabeça

Mais em frente, junto a Malanza, pode-se fazer um passeio de canoa que é organizado por uma ONG local , a MARAPA. O custo são 10€ por pessoa pagos no fim do passeio que dura cerca de uma hora. Para organizar o melhor é visitar a loja que existe na cidade. 

O passeio é muito bonito com todas as margens revestidas com mangal, um tipo de árvore com longas raízes aéreas que por vezes até partem dos ramos mais altos e viajam todo o caminho até à água. Se o percurso for feito da parte da manhã ou ao final do dia até se podem ver macacos.


 Continuando o percurso eventualmente chega-se a Porto Alegre que será a ultima paragem caso se queira comprar comida. O único sítio onde comi foi na recepção do Praia Jalé Ecolodge, que é basicamente um quiosque com uma sala onde as pessoas da casa fazem comida sob encomenda. Ainda assim, a comida era muito boa e o abacaxi simplesmente épico...

Praia piscina
 Se chegaram até aqui é provavelmente porque têm um todo-o-terreno por isso continuar não será problema. Seguindo em frente e dando a volta a Porto Alegre chega-se a um caminho que virando à esquerda no sítio certo, levará até à fantástica praia piscina.







Mais praia piscina

Ainda mais praia piscina
 O sítio é verdadeiramente paradisíaco e muito raramente tem gente. Dentro de água também é espectacular (embora a corrente possa ser forte) com todos os rochedos que partem das profundezas, todos os vales com areia branca no fundo e toda a vida marinha que neles vive. 








Se ainda não tiveram praia que chegue, podem regressar para o caminho principal e continuar em frente até chegarem à praia jalé, mas essa fica para depois...