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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Cavalariça abandonada

 Se gostam de ruínas perdidas no meio da floresta e tiverem a oportunidade de ir até Abade, então
aconselho vivamente a perguntarem a alguém onde está a antiga cavalariça (tenham é cuidado porque o sítio está cheio de aliança! Ao mínimo toque nos troncos ou nas folhas e elas caiem-vos em cima furiosas!)
O sítio apresenta-se como todas as ruínas quando vistas de longe; um par de paredes velhas meio engolidas pela floresta. Mas é quando se entra e explora o sítio com calma que ele começa a contar a sua história.


Manjedoura para os cavalos. Também conseguem ver os cavalos amarrados nas argolas de metal enquanto alguém deitava palha por trás?


 Tenho bastante dificuldade em perceber como é que estas raízes ficaram assim, como cordas bem esticadas que abraçam toda a estrutura.


Pormenor das argolas metálicas para prender os cavalos

 São sítios como este que nos transportam para o passado e nos mostram o que aconteceria se as pessoas desaparecessem de um dia para o outro. Não é fácil encontrar sítios que nos transmitam esse tipo de sentimento, tão assustador como fantástico, mas as florestas de São Tomé são a excepção.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

O fim da estrada

O fim da estrada é uma das estranhas atracções que São Tomé tem para oferecer. Basta olhar para o mapa das estradas para perceber que o anel não fecha, há uma área misteriosa no Sudoeste do país sem estradas nem comunidades. O percurso normal para lá chegar é simples, basta chegar à marginal e começar a conduzir em direcção à esquerda (com o mar de frente) e continuar até não dar mais. Vão passar por um par de comunidades até atravessarem Guadalupe, depois viram as planícies de savana e a fantástica marginal com os pescadores nas suas canoas, a Lagoa azul e a estrada serpenteante com os penhascos a olhar-nos com superioridade, Neves e o caos de pessoas, porcos, hiaces, motas e cabras, de seguida Ponta Figo e as palmeiras, o túnel, as praias a preto e branco, Santa Catarina, com as casas de madeira à beira mar, a ponte sobre o rio Lembá, a maior do país, e por esta altura o alcatrão acabou, mais um pouco a subir, Ponta Furada do vosso lado direito, continuem, está quase, os campos de cafezeiros de cada lado e as copas por cima e... pronto, podem sair do carro e fazer o resto do caminho a pé porque acabaram de chegar ao fim da estrada.



 O fim da estrada não surge como uma linha traçada por alguém. Esse tipo de divisão não seria natural, não é assim que a Natureza opera. Em vez disso surge gradualmente com pequenos rebentos pioneiros que lutam por reconstituir vida à gravilha cinzenta. Aos poucos, plantas maiores vão surgindo, fetos, flores. A floresta convida-nos silenciosamente a continuar.



 A certa altura a estrada já desapareceu e apenas uma berma mais alta usada actualmente por vinhateiros e caçadores dá alguma pista que por baixo dos nossos pés jaz uma antiga estrada movimentada.



 Mais uma centena de metros para as profundezas e as árvores e palmeiras reinam sobre o que outrora foi terra de Homem. Este é o sítio onde a Civilização desaparece debaixo de raízes poderosas e dá humildemente lugar à Natureza.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Explorando o hospital abandonado

 Deixámos o carro em Ponta Furada, uma das ultimas comunidades que se podem visitar de carro até a estrada acabar e caminhámos todo o caminho até Bindá. O sítio em si não tem muito para ver, apenas uma ou outra relíquia portuguesa pelo caminho, talvez, mas se atravessarem o rio e subirem até lá acima vão ser surpreendidos por um imenso hospital em ruínas que se manterá bem escondido até estarem apenas a alguns metros da entrada!

A ambulância de serviço ainda na garagem?
 Entrei lá por dentro todo armado em Indiana Jones pronto a explorar as ruínas de uma civilização perdida. Para onde quer que me virava só via coisas fantásticas por isso fartei-me de fotografar, tinha que documentar tudo. Lá em baixo o Gabriel e o Nelson gritavam pelo meu nome, mas como podia sair dali sem explorar tudo? Absolutamente impossível!

 Enquanto me perdia pelas várias divisões só conseguia imaginar quantas pessoas já andaram por aqui, as histórias de vida que se desenrolaram entre estas paredes que agora estão cobertas de raízes e trepadeiras. E principalmente, como é que aquela gente imaginava que seria o hospital no futuro.

Certamente que não o imaginavam assim
 No final perguntei-lhes como é que se chamava o hospital e ninguém me soube responder. Acho incrível como é que uma coisa que claramente era importantíssima pode simplesmente desaparecer dentro da floresta com o passar do tempo.



segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ruínas Portuguesas

Trás os montes, ao pé de Nova Ceilão
 Por vezes caminhamos perdidos pela floresta, viramos ali na primeira à esquerda, deslizamos por uma encosta escorregadia agarrados às trepadeiras, furamos pelo mato a dentro, fazemos a curva depois da figueira e sem aviso, no meio do nada, deparamos-nos com estas coisas! A floresta de São Tomé está cheia de relíquias do "tempo dos Portugueses".














Vale do Rio Contador





 Tão magnificas como despropositadas, penso que agora servem apenas para nos relembrar que as estruturas que damos por garantidas estão na verdade sujeitas a uma série de factores naturais e que basta pararmos de as reparar que depressa são convertidas nos seus componentes mais simples e lançadas de volta à terra de onde vieram.


Caminho que parte de Dona Augusta
 Gosto de imaginar que quem projectou estas estruturas nem adivinhava que anos depois estariam a cair aos bocados, engolidas pela floresta envolvente.  



O que resta de uma fonte. Pouco depois de passar Ribeira Afonso
  De longe as relíquias que mais gosto são aquelas que estão no meio  das casas das pessoas. Apesar de as verem todos os dias, muitas vezes  nem sabem o que é que foram e isso faz-me dar asas à imaginação e pensar naqueles cenários de ficção cientifica em que seres humanos começaram a colonizar um planeta deserto mas que ainda possui fragmentos escondidos da tecnologia dos seus anteriores habitantes... mas talvez seja só eu.








Não sei ao certo onde foi tirada mas julgo
ser para os lados de Novo Destino



 No final do dia a floresta não se importa com o que nós lá pusemos e basta virarmos costas por uns instantes que ela depressa nos relembra de quem é a terra que pisamos. Eu diria que é para todos e não é de ninguém.