segunda-feira, 18 de junho de 2012

Ascensão ao Pico


 Passei os últimos três dias e duas noites no pico de São Tomé a trabalhar num projecto que tem como objectivo a reabilitação dos percursos pedestres da ilha e como acho que isto será um assunto útil e que poderá interessar a bastante gente, vou tentar ser crítico e informativo nesta metade do post que se segue. Como também acho que poderá haver benefício em contar como tudo se passou, deixo isso para a segunda parte do super post de hoje.


Turismo


Perguntas

Quanto tempo demora?

No máximo fica por dois dias separados por uma noite (opção mais normal) mas a opção de um dia também está no menu, embora não aconselhe nada isso – não se vai ver nada porque se estará sempre a correr à frente do Sol.

É perigoso?
Sim. E não é daquele tipo de perigo ah e tal, podes meter o pé numa raiz e torcê-lo e choras um pouco. É mais daquele tipo de perigo em que confias todo o teu peso a uma raiz podre, ela parte-se e tu cais e desapareces no meio da bruma fantasmagórica sem fazer um único som.

Apenas uma das muitas crestas que terão que atravessar
Vale a pena?
Sim! Vale! Aquilo lá em cima parece saído de um livro do Senhor dos Anéis e se não acreditem continuem a descer que as fotografias já vos vão convencer.

 
É preciso guia?
Sim. O caminho é longo e difícil e deve-se ir com alguém experiente. Se alguma coisa correr mal (e tanta coisa pode correr mal…!) podem crer que é melhor estar com alguém do que ficar para lá sozinho.


Por onde se vai?
O mais usual é subir-se a partir do Jardim Botânico do Bom Sucesso mas deixem isso para o guia.

Se virem isto não se preocupem porque já está quase




Material obrigatório

Botim/galochas – Não quero imaginar como seria andar no meio de tanta lama e folhas molhadas sem um bom par de galochas mas suspeito que seja… mau. E frio também!

Roupa quente (2x calças, 2x casaco e 2x meias quentes) – Na hora de fazer a mala podem ser tentados a cortar esta parte e irem mais leves. Afinal de contas como é que pode estar frio lá em cima se cá em baixo está tanto sol? Acreditem que pode, especialmente na gravana (Junho – Setembro)! E o frio que vem de mão dada com a humidade e a ventania daquele lugar é o suficiente para vos enregelar até aos ossos e acordar a meio da noite sem nada para vos aquecer a não ser a própria respiração! Levem pelo menos alguma coisa para tapar a cabeça (gorro ou capucho do casaco) porque vai ser por aí que vão perder grande parte do calor!

Roupa fresca (2x t-shirt, 2x sandálias, 2x meias frescas) – É o que vão usar quando estiverem a pingar de suor nas subidas e descidas ou quando acabaram de chegar à Mesa do Pico e só querem tirar os botins e deixar os pés respirar.

Grande parte da "subida" ao Pico é passada a descer!
Tenda
- Vantagens: Mais espaço, partilhar calor corporal (novamente as noites são um gelo!).
- Desvantagens: Peso. Implica transportar qualquer coisa para meter debaixo do saco-cama porque se não, vão estar por cima de uma raiz que esteve todos estes anos a crescer enquanto aguardava pacientemente pelo dia em que vocês teriam que se deitar por cima dela.

ou

Amoque (uma cama de rede com a mania que é tropical)
- Vantagens: Leve. Evita a tal raiz. Monta-se mais facilmente e em mais sítios que a tenda.
- Desvantagens: Só dá para uma pessoa… Sim, é só isso. Se deitarem-se na diagonal, até podem beneficiar de um “chão” (mais ou menos) direito.

"Olhem para mim, sou tão tropical."
Frontal ou lanterna – Dá sempre jeito ter alguma coisa para iluminar os buracos traiçoeiros no caminho de regresso à tenda escura e gelada que vos aguarda.

Guarda-chuva ou impermeável – Eu prefiro o segundo porque aquece e dá para meter entre o rabo frio e o chão molhado quando se está a aquecer as mãos na fogueira.

Máquina fotográfica – É criminoso ir-se lá a cima sem levar uma.

Cajado – Na subida não é tão importante mas a descida é tão escorregadia que acho muito boa ideia pedirem ao vosso guia que use o seu fiel machin para vos arranjar um cajado.

Doces e coisas boas – Açúcar rápido antes das caminhadas é sempre boa ideia. E também porque é bom!


História


Caminho? Qual caminho?
 Éramos cinco ao início…          estou a brincar, continuámos a ser cinco no final, ninguém se perdeu… eu, o Bastien, o Gabriel, o António e o Narciso começámos a subida a partir do Jardim do Bom Sucesso. A primeira parte do caminho não é novidade nenhuma, estamos já fartos de a fazer. Mas depois de se virar à esquerda na placa que aponta para a Lagoa Amélia e subir numa inclinação mais escondida é que as coisas começaram lentamente a fazer cara feia. Troncos escorregadios a bloquear totalmente o caminho, paredes com raízes salientes que tinham que ser escaladas, derrocadas que apagaram completamente o caminho, trechos super estreitos devido à erosão… bem, venha o diabo e escolha. Mas o que importa é que passámos tudo e conseguimos chegar eventualmente à Estação Sousa onde iríamos passar a primeira noite por isso começámos a montar a tenda e os amoques, a juntar lenha para a fogueira e a encher as garrafas de água no riacho mais próximo. Estava já a ficar escuro, a neblina tapava o céu e o frio cercava-nos. Era hora de trazer o fogo por isso o António despejou um pouco de gasolina para cima da lenha molhada e no tempo em que um fósforo demora a acender já tínhamos algo com que nos aquecer. Botins e meias, toalhas e t-shirts, casacos e mochilas, tudo foi pendurado ali ao lado para secar ou aquecer enquanto se preparava um belo esparguete com peixe fumado.






 A primeira noite não correu lá muito bem. Entrei para dentro do saco-cama vestindo apenas um casaco e as mesmas calças de ganga castanhas que usei durante o dia… meti os tampões nos ouvidos, fechei o saco-cama, e lá acabei por adormecer… …para acordar umas poucas horas depois com os pés absolutamente gelados, insensíveis, mortos, pronto. Foi difícil voltar a adormecer naquelas circunstâncias mas depois de muita meditação e aceitação dos processos que envolvem o corte da corrente sanguínea para as extremidades e de como isso era um processo natural e, no momento, inevitável, lá consegui pregar olho novamente. Hás cinco fui acordado por vozes e uma cor agradável de fogo no tecto do amoque. O frio só tinha piorado, por isso tentei reanimar os pés enquanto fazia pontaria para dentro dos botins gelados e me arrastava para junto do fogo como uma traça em busca da luz.

 O segundo dia começou bem com os restos do esparguete da noite anterior e um cafezinho adoçado com leite condensado. Tinha ficado combinado que iríamos tentar descobrir um caminho alternativo por cima de uma cresta que evitasse todos os perigos que passámos no dia anterior mas como o mato estava todo lá e o caminho simplesmente não existia, senti-me muitas vezes como um elefante a furar pela floresta, por vezes na vertical, pendurado nas árvores, a escorregar sem controlo pela lama… foi de doidos e adorei!

 Regressados ao acampamento era hora de arrumar tudo e voltar à estrada. A floresta mudava gradualmente à medida que subíamos. Ficava mais misteriosa, mais mágica, os musgos cobriam cada vez mais os troncos, as nuvens passavam rápido por cima das copas baixas, os pássaros calavam-se, os insectos escondiam-se. Estávamos claramente a entrar num reino misterioso que os seus habitantes não queriam que fosse descoberto.


 Voltámos a montar o acampamento na Mesa do Pico. O sítio não parecia deste mundo, a sua beleza era realmente inacreditável com todas as espécies de musgos a cobrir cada centímetro das árvores que lá crescem. Era neste dia que iríamos subir até ao pico por isso depois de almoçarmos pão com queijo e atum – uma verdadeira delícia se o pão for tostado sobre o fogo e entre as lâminas de dois machins – lá agarrámos o mínimo imprescindível e começámos a última subida.

Preparem-se mentalmente para a escalada!
 Eu pensava ingenuamente que o pior já tinha passado, todos me disseram que chegaríamos lá em meia hora, ou vinte minutos até. O que não me disseram é que seriam vinte minutos pendurado em paredes verticais cercadas por precipícios! Mas que perfeita loucura que aquilo foi! Sempre que pensava em subir, testava sempre as raízes onde estava a depositar a minha vida porque bastava apenas uma delas se soltar que nem sei bem onde iria parar… ok, provavelmente não iria muito longe porque havia lá várias à escolha. Alguma me iria socorrer. Escalámos e escalámos até que chegámos finalmente ao nosso destino. Aquilo pelo qual subimos tanto e durante tanto tempo. Uma clareira minúscula no meio de umas árvores magrinhas e sem graça. As nuvens brancas e espessas tapavam tudo. Não se via o resto da ilha, nem sequer o mar, não se via nada. Mas como tínhamos tempo decidimos esperar, ler as placas, e foi aí que comecei a sentir algo diferente. Algo conhecido. Numa tentativa de me explicar ao Gabriel, disse que São Tomé não tem “ondas para pensar”. Passo a explicar: O mar que cerca Portugal (o Centro e Norte, pelo menos) tem uma ondulação fantástica e basta estar ali um pouco sentado a ouvir o que ele tem para nos dizer que a solução para os nossos problemas parece subitamente fácil, alcançável. São Tomé não tem o mesmo mar mas senti que o pico era um desses sítios para reflecti, para parar um pouco. Para pensar onde estamos, o que já fizemos e o que queremos fazer de seguida… mas talvez isto seja apenas eu.
No Pico! (Claridade a mais! Tenho, que, manter, os olhos, abertos!)

 A ementa da noite anterior repetiu-se ao jantar mas o frio que se sentia trouxe-nos para mais perto do fogo. A madeira chiava, crepitava, espumava nas feridas abertas e foi com esta música que falámos de feiticeiros e extraterrestres, até que o António ligou o rádio do telemóvel e começámos a seguir o jogo de Portugal x Holanda. Assim foi até que o senhor do outro lado nos garantiu que Portugal tinha mesmo passado aos quartos de final.
 Como queria (e precisava) de dormir bem naquele noite, decidi vestir tudo o que tinha, ou seja, as duas t-shirts fininhas e o casaco com capucho mas numa tentativa desesperada de aquecer os pés, acabei por vestir o impermeável como se fossem umas calças com as mangas fechadas! De nada valeu e acordei de hora a hora até o fogo me convidar a sair.
 Quando me perguntaram se dormi bem a resposta honesta foi um não. Aliás, nem sei se dormi. Foi mais uma noite gasta à espera que o Sol voltasse. Umas horas parado a descansar os músculos das pernas. Mas nada disso importava porque ali estava o fogo novamente. As meias fumegavam, os pés ardiam, todos se chegavam um pouco mais perto, de mãos esticadas, ninguém falava.




 Se a subida ao pico é uma perfeita loucura, a descida não podia ser muito diferente. Felizmente que desta vez levei comigo um pequeno cajado (altamente recomendável nesta parte) que me ajudou a não passar o tempo todo com o rabo no chão.


 No final ninguém se magoou muito e chegámos todos inteiros e felizes, ainda que absolutamente arrasados. Valeu a pena e se puder volto lá para filmar e fotografar o que deixei para trás!


8 comentários:

  1. Porreiro! Sobes outra vez quando for aí =P
    O problema é que me parece q foram 3 dias, e ñ posso faltar tanto ao trabalho =P

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  2. Sim mas o normal é ser dois dias. Fazemos isso num fim-de-semana ou assim ;)

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  3. Que saudades! Da proxima vez que estiver ai quero repetir esta aventura... Ah, o belo do esparguete com peixe fumado, pela manha...

    Se tu achas que a tua ascensao foi dificil, eu a primeira vez que fui la ia com um pessoal que achava que estava a embarcar num passeio de fim-semana e que nunca tinha entrado no Obo a serio(nomeadamente lembro-me de uma certa pessoa com corsarios...). Houve, lagrimas, muitos trambulhoes, uma desistencia e sessoes prolongadas de vomito nocturno! Da segunda foi bem melhor, apesar de uma amiga minha ter ficado com um bocado de panico das alturas... Tu ao menos foste so com pros e acredita faz diferenca nao estar constrangido por um grupo que so tem uma velocidade: lento!

    Esqueceste de enumerar a maior desvantagem do amoque. E que aquilo la em cima nao e tropical, e passa-se um frio do catano. Ate a baixa altitude, eu levo sempre uma manta para por por baixo do meu corpo no amoque, senao nao consigo dormir com o frio. Por isso imagino la em cima, onde ate na tenda faz frio.

    O Antonio que tu mencionaste e o irmao do Luis Mario que mora na aldeia? Ele ja esta nestas andancas outra vez?

    Se voltar a levar alguem la a cima, vou aconselhar a ler este post primeiro. E que por muito que eu explique o pessoal acha sempre que eu estou a exagerar, quando digo que a coisa nao e pera doce!

    Eu tambem fiz um post na altura que subi a primeira vez (http://riscas83.blogspot.co.uk/2010_01_01_archive.html), mas abstive-me de grandes comentarios aos percalcos do caminho. Ve o diagrama da subida, que da para ter uma ideia do quanto se desce para chegar la acima.

    E incrivel que nunca ninguem se tenha magoado a serio nesta loucura, porque eles levam o pessoal la a cima sem verdadeiramente avisar dos riscos. Mas, enfim, acho que faz parte da magia da subida ao pico, uma pessoa sentir-se feliz por ter saido de la com vida.

    (E e melhor avisares o teu amigo, que se o "passeio" em si demora menos de dois dias, para pernas menos habituadas tambem ha uns quantos dias de ressaca)

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  4. Obrigada João pela partilha de informações. Eu fui ao pico em Janeiro de 2010 com o Ricardo.. Disseram-me que era fácil, bastava ter-se alguma preparação física. Eu estava habituada a fazer caminhadas no Geres e Montesinho e fui nadadora de competiçao portanto tinha alguma resistência, mas nunca pensei que pudesse ser assim a subida do Pico!!(Ricardo) eu fui de calças de pano que ao fim do segundo dia estavam reduzidas a uma espécie de mini-saia.. O teu post devia ser dado a ler a toda a gente que está a pensar lá ir.. Durante a subida tive muitas caimbras, lembro de me atirar para o chao com caimbras, para além de me ter ido um pouco abaixo psicologicamente naquelas subidas a pique, só com apoio de raízes.. lembro-me de olhar os precipícios, de pensar que as raízes estavam ali para nos amparar. Nunca pensei que fosse assim, tão belo e doloroso ao mesmo tempo. Não me arrependi, apesar de ter ficado 1 dia sem conseguir andar em condições.. diziam que parecia um pinguim!e ainda demorei uns dias a voltar ao "estado normal". Lembro-me das refeições, da esparguete com peixe fumado, que me souberam pela vida. Lembro-me de como o Antonio quando iamos quase a meio do percurso voltou para tras para levar a minha amiga que desistiu e como ele pouco depois (passadas algumas horas)de começarmos a preparar o jantar na mesa do pico, ele apareceu de novo!!! Vimos macacos. Sinceramente tenho pena de nao ter olhado mais à minha volta para apreciar mais. Levei maquina, mas foi sempre a correr, só consegui tirar fotos nas primeiras 2 horas. Talvez volte um dia com mais tempo e mais preparada.. Não sei o que planeiam fazer de reabilitação dos percursos pedestres do pico, se é apenas limpeza de mato. Por um lado seria interessante tornar o percurso mais fácil de ser percorrido.
    Eu entendi o que dizes acerca do mar, o facto de ser uma voz que nos guia quando mais precisamos,o bater das ondas constantes como algo divino. Em Sao Tomé é a natureza, a pureza da floresta do obo que me trasmitiu essa sensação, de tranquilidade, de guia.
    Continuação de bom trabalho e obrigada pelos posts :)

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  5. Ricardo:
    Ui nem quero imaginar... subir com pessoas que não sabem apreciar aquilo deve ser uma valente tortura!
    Sim, é esse mesmo. Ele já está como novo e fartou-se de falar de ti!

    Margarida: Sim, vai ter que haver muita limpeza e devemos sugerir uma alteração no caminho para evitar as encostas que estão simplesmente a desaparecer com a erosão. O que está planeado é uma subida por uma cresta que também não será brincadeira, mas ao menos será mais segura.

    Aos dois, muito obrigado pelos comentários! Só por si são como dois posts que completam o meu. Muito obrigado!

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  6. Ouve lá, e pombos?! Quantos pelo caminho?! Viram Anjolo na base da subida para o Calvário?

    Eu tenho um grafico da ascensão da terceira vez que la fui no meu blog (http://leve-leve-levezinho.blogspot.pt/2011/07/juraram-nunca-mais-aqui-voltar.html), que acho util para se entender que a subida nao é uma subida, mas sim uma ascensao em que passas o tempo a descer. E a inclinação da descida tambem é de respeito. :)

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  7. No Evereste para as subidas turísticas colocaram escadotes nas partes mas complicadas =P mas ñ sei se há disso aí ou se o levariam =P

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  8. Ola a todos!
    Antes de tudo, meus parabens ao João Pedro que conseguiu, com muito jeito e talento, descrever esta nossa aventura pelo Pico. Este post vai ficar na historia como um "must read" para todos os teimosos que por lá pretenderão ir divertirse.
    Apenas queria relembrar aqui o objetivo da nossa visita ao Pico, como a tambem 17 outros itinerarios pedestres da ilha. Ao pedido da Direção Geral do Turismo, organizei uma equipa para proceder ao levantamento das necessidades de intervenção, ordenamento destes caminhos com vista a uma melhoria do seu aproveitamento recreativo num futuro que espero proximo. Fomos então andando colhetando informações sobre o estado do piso dos caminhos, as necessidades de limpeza, vias alternativas, medidas de luta contra erosão, eventual sinalização e interpretação dos principais atrativos etc.
    No caso do caminho do pico, experimentamos duas alternativas ao caminho atual : a primeira para desviar um trecho bastante erodido depois do Calvario e das Escadas, onde as inúmeras derrocadas colocam os visitantes em situação de risco cada vez maior, para alem do impacto que o pisoteio tem sobre a vegetação em geral. A segunda alternativa foi para identificar uma via mais segura e menos inclinada à descida atual ate Morro Vilela e Ponta Figo. Sob recomendação de Antonio, procuramos descer por umas outras crestas que ligam ao antigo quintal de Morro Vilela. Não foi uma tarefa fácil e a descida pelo mato fechado até Vilela foi um desafio em nada agradavel. Mas conseguimos a valeu a pena conhecer. Não sei se vamos conseguir propor algo factível, mas vamos tentar.
    Afinal de contas, acho que a missão foi cumprida, e temos agora matéria suficiente para propor intervenções que, se forem concretizadas, poderão melhorar bastante a qualidade da experiênica e a segurança deste passeio emblemático da ilha. Contudo, como o JP muito bem disse, mesmo assim este caminho mantem uma verdadeira aventura, com riscos reais, em particular tendo em conta a inexistencia no país de mecanismos de resgate nestas paragens longiquas. Por isso, pensem duas vezes antes de lançar-se na aventura. Consultem guias realmente experimentados e confiem naquilo que dizem! Um pequeno detalhe esquecido na organização pode realmente estragar a festa e tornar o passeio num verdadeiro pesadelo.
    João Pedro : muito obrigado pelo post e pela excelente disposição nas crestas. Vejamos em breve para novas aventuras!
    BASTIEN

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