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sábado, 11 de agosto de 2012

Contemplando Água Sampaio

 Ontem tive a sorte de me apanhar num daqueles momentos fantásticos que parecem acontecer tão frequentemente neste país. O Sol estava a pôr-se, as nuvens laranja riscavam o céu e já se viam alguns morcegos a passar ao longe. Estava sentado ali no muro, não tinha mais graçolas para dizer, e toda a gente já tinha perdido o interesse em mim. Estava simplesmente ali, um gajo feliz contemplativo e invisível. E à minha volta acontecia tudo ao mesmo tempo. Miúdos saltavam e gritavam e jogavam ao mata com uma bola mole de trapos. Nos tanques as mulheres cantavam musicas ensaiada na igreja. Cumprimento quem vai chegando do trabalho. "Então, tudo?" E eles respondem com um sorriso. "Ya." Os miúdos provocam-se, gritam, correm, sacanas nem sabem a sorte que têm. Poderem brincar na rua, à porta de casa, e todo este verde, amarelo, e o laranja do Sol também já está por todo o lado, pinta o próprio ar que respiro, vai das nuvens até às casas, desce pelos troncos das árvores, aquece a cara dos que regressam a casa.

 Ao ver a fotografia abaixo só consigo pensar:
 "Como é possível habituar-me novamente a Portugal, cinzento, impessoal, frio, se ainda não saí e já sinto tanta falta disto..."

terça-feira, 15 de maio de 2012

Encontra o teu caminho

 Regressámos inteiros de mais uma comunidade, desta vez de Água Sampaio. A comunidade fica longe mas vale a pena pela beleza do sítio e das pessoas que lá vivem e mais uma vez o xadrez voou para fora do saco directamente para dentro das cabeças de quem por mim passava. Ninguém escapava, até se chegou a jogar no assento de uma mota mais incauta.

Tirada através do vidro do carro. Choveu o dia inteiro.

 Da última vez que lá estivemos eu lembro-me perfeitamente de não ter dormido nada por causa de uma missa dos Adventistas do Sétimo Dia e de uma hiace que se fartou de buzinar para chamar e levar as pessoas para o mercado na cidade. Ambas as coisas aconteceram ainda de noite e bem perto das minhas orelhas. Mas desta vez dormi que nem uma rocha, um tronco, algo verdadeiramente inabalável. Não sei se foi do vinho de pacote que estivemos a beber à luz da vela ou se foi por estar todo enrolado no saco-cama estilo casulo mas não houve nada que me acordasse antes do despertador.
 A contagem de aves seguiu-se e aconteceu um par de coisas que me pareceu comporem uma boa metáfora para a vida:

   No início ainda via o Nity a apontar-me os perigos que ele encontrava pelo caminho mas à medida que eu ia vendo coisas que me prendiam o olhar fui ficando para trás para as fotografar.

Matemática elementar:
Bananeira + Nascer do Sol = Fotografia fácil. 

Quem é a jita mais linda, quem é? 
A pequena portou-se tão bem que até consegui
 mudar a objectiva e as definições todas
 com a outra mão.




























 Ele foi-se afastando e quando o primeiro cruzamento veio tive que recorrer às minhas skills para lhe encontrar o rasto.
 Caminho 1: Inclinado, super escorregadio mas parecia ter sido remexido.
 Comecei a subir mas como achei difícil de mais e ainda me restava tentar o outro caminho, desisti e voltei para trás.
 Caminho 2: Plano e relativamente fácil mas a certa altura deparei-me com uma teia de aranha enorme mesmo a meio. Se ele tivesse passado por lá, certamente que não a teria visto e tinha-a destruído.
 Regressado ao cruzamento vi que havia ainda uma terceira hipótese… ok, está na hora de soltar o meu uivo de Tarzan.
 – OI!!
.
.
.
 – … oi!! – Respondeu uma voz distante, pouco depois. Vinha de cima, do caminho mais difícil.
 – OI!? – (É mesmo por aqui?)
 – …Oi! – (Sim, podes vir.)
 E pronto, lá subi e emporcalhei-me todo mas encontrei o Nity no final.


 Pensamento: Devemos seguir sempre o nosso próprio caminho com os olhos bem abertos para as pistas que vão aparecendo. Se nos enganámos, não tem mal voltar para trás e tomar um novo caminho. Deste ponto de vista, o que é desistir? E no fim se estivermos perdidos devemos ter a coragem para mandar um grito de ajuda. Alguém por perto irá certamente ouvir, mas a resposta que virá não nos mostra o caminho, apenas pode apontar na direcção certa.





sábado, 28 de abril de 2012

Novos ângulos

 Hoje foi apenas mais um dia de trabalho de campo como os outros só que como agora passo o tempo todo com a minha nova menina pendurada à cintura, acabo por fotografar momentos que de outra forma provavelmente não me teria dado ao trabalho por preguiça ou simplesmente por não ser possível com uma máquina maior e mais ameaçadora. Apesar da qualidade da imagem ser visivelmente inferior, acho que a máquina acaba por compensar essa falha com as oportunidades que cria e, dessa perspectiva, as duas até se complementam bem.

Adoro esta foto porque não foi minimamente ensaiada! O Christoph estava a fotografar a cena da próxima foto e eu julgava que os miúdos nem tinham reparado que desta vez eu tinha apontado a máquina para nós.



Jita (Boaedon lineatus) e lagartixa (já foste)
Carrinha destroçada a caminho de Água Sampaio

Aranhão à espera de identificação